O TERCEIRO MILÊNIO E A INVOLUÇÃO DA RACIONALIDADE HUMANA
Estamos vivendo tempos sombrios. Tudo é extremamente relativo e meticulosamente arquitetado. O absurdo já foi incorporado ao cotidiano da sociedade. A capacidade de raciocinar involuiu, dando lugar à capacidade de zurrar aos quatro cantos do planeta. Pensar cansa; gritar e seguir o mestre, não. Carpir cansa; catar migalhas, não. Ter consciência da própria incompetência deveria ser motivo de reflexão, mas, para muitos, tornou-se combustível para a cegueira e para surfar em qualquer boato que os leve a acreditar que a ração diária, oferecida justamente pela mão que os aprisiona mentalmente, é uma dádiva.
Chegamos ao terceiro milênio cristão mais irracionais do que em qualquer outro momento da escala evolutiva humana. O excesso de informações, que poderia proporcionar à humanidade um salto valiosíssimo de evolução intelectual e espiritual, produziu o efeito contrário. A manada, entorpecida por fatos e acontecimentos, decidiu permanecer na zona obscura da sacanagem, dos jogos de azar e das redes sociais, onde cada indivíduo constrói um avatar daquilo que gostaria de ser e da imagem que deseja projetar para o mundo. O problema é que esse personagem fictício dificilmente saltará da tela para a realidade — e talvez nunca o faça.
Enquanto isso, somos agraciados com uma enxurrada de bons-dias, boas-tardes, boas-noites, citações bíblicas e imagens angelicais que chegam às nossas telas carregadas de veneno, rancor e inveja. Uma pena que o emissor, aquele que prega a palavra enquanto crava a faca, ainda imagine que ninguém percebe suas verdadeiras intenções.
Uma reverência a todos que aplaudem a execução perfeita da máxima de que os fins justificam os meios. Vocês são atores canastrões, representantes da nata dessa espécie rasteira denominada SER HUMANO.
"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia."
— Mateus 23:27 (Almeida)
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