ENTRE A HIPOCRISIA, A RAZÃO E A TÚNICA DA PAZ



Aprendi que não preciso concordar com você para respeitar o seu direito de pensar diferente. Cada um tem o direito de defender suas ideias, mas também precisa ter a coragem de assumir as consequências das próprias escolhas. A vida é assim: colhemos os bônus, mas não podemos fugir dos ônus.

O que me incomoda é ver tanta gente falando em princípios, honestidade e valores, enquanto age justamente na contramão de tudo isso. Nos últimos tempos, tenho visto atitudes que me fazem questionar até onde uma pessoa é capaz de ir para defender os próprios interesses. Vale tudo? Até passar por cima da consciência? Até fingir ser aquilo que nunca foi?

Parece que, para alguns, basta acreditar que estão certos para justificar qualquer atitude. Confundem conveniência com caráter, discurso com verdade e interesse próprio com justiça. E assim vão levando a vida, apontando os erros alheios enquanto fazem de tudo para esconder os próprios.

Pois bem, cada um escolhe as vestes que deseja usar. Se alguns preferem a hipocrisia, o cinismo e a desfaçatez, terão de conviver com as consequências dessas escolhas.

Eu prefiro a túnica da paz.

E não confundam isso com fraqueza. Sei que há momentos em que precisamos nos posicionar, dizer não e defender aquilo em que acreditamos. Mas também aprendi que nem toda discussão merece o nosso tempo, nem toda provocação precisa de resposta e nem toda batalha vale o desgaste que provoca.

Chega uma hora em que a gente cansa de tentar explicar o óbvio, de esperar coerência de quem só enxerga os próprios interesses e de se desgastar para provar algo a quem já decidiu não compreender.

Nessas horas, prefiro me afastar. Não por medo, não por falta de argumentos, mas porque a minha paz vale mais do que a necessidade de ter sempre a última palavra.

Cada um seguirá o caminho que escolheu. Eu seguirei o meu, com os meus erros, os meus acertos e a consciência de que não preciso me tornar aquilo que condeno nos outros.

No fim das contas, o que levamos da vida não é a quantidade de discussões que vencemos, nem o número de pessoas que conseguimos derrotar. É a tranquilidade de poder olhar para trás e reconhecer que, apesar das dificuldades, não abandonamos aquilo em que acreditamos.

Que cada um cuide da própria consciência. Quanto a mim, prefiro a paz. Não uma paz de aparência, mas aquela que permite deitar a cabeça no travesseiro e dormir sem precisar inventar justificativas para os próprios atos.

“Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.”

Romanos 12:18

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