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Mostrando postagens de novembro, 2026

ESTOU CANSADO DA VIDA, NÃO DE VIVER

Estou cansado da vida, mas não cansado de vivê-la. Sou eternamente grato pela vida e pela cura. O que me cansa é o meu fracasso enquanto ser humano. É olhar para trás e perceber que não construí nada, que meus laços são frágeis, frouxos, dissolvendo-se ao sabor de uma pequena brisa. Falhei como homem, como filho e como marido. Não fui sequer capaz de deixar descendentes, o que me leva a pensar que meu galho já nasceu com algum defeito genético de origem, condenado a não produzir frutos. Se você não se sente bem em nenhum lugar, talvez o erro não esteja nas pessoas. Talvez o elemento nocivo seja você. Talvez seja você a criatura que precisa ser arrancada pela raiz, extirpada de todos os ambientes por onde passa. Em todos os meios aos quais me integrei, acabei me tornando a figura desagregadora, aquela que desestrutura relações e destrói lares. Parece que tenho o poder de despertar sentimentos pouco nobres no coração das pessoas apenas pela lembrança do meu nome ou pela simples visualiza...

ISSO NUNCA FOI AMOR

E, finalmente, você disse o que há tanto tempo parecia querer dizer: “Você não gosta de me ver feliz”. A frase saiu. E, com ela, veio à tona tudo aquilo que seus olhos já diziam havia muito tempo. A mágoa, o rancor, a insatisfação. Nada daquilo nasceu naquele instante. Apenas deixou de ser disfarçado. Você guardou as feridas. Não para entender o que aconteceu, não para tentar superar, muito menos para encontrar alguma paz. Guardou porque, aparentemente, ainda precisava delas. Precisava ter o que cobrar, de onde tirar uma acusação, a quem atribuir a responsabilidade pela própria infelicidade. E esperou. Esperou o momento em que pudesse devolver tudo, de preferência quando o outro já acreditasse que aquilo havia ficado para trás. Mas, afinal, o que foi isso? Amor? Revide? Necessidade de companhia? Conveniência? Talvez tenha sido um pouco de tudo, menos aquilo que deveria ter sido. Porque o amor não sobrevive quando alguém transforma a convivência em uma contabilidade de ofensas, na qual ...

A FINITUDE DA EXISTÊNCIA

Aos poucos, as pessoas estão indo embora. Nossa história está sendo apagada diante dos nossos olhos. Pessoas contemporâneas, pessoas conhecidas, familiares, amigos... Todos partindo, deixando-nos diante da realidade da nossa finitude e da nossa insignificância perante a imensidão do todo. Afinal, não somos nada. Ou, pelo menos, somos tão pequenos diante da existência que fica difícil compreender o verdadeiro significado da vida. Qual é o sentido de cada esforço? De cada aborrecimento, de cada necessidade enfrentada, de cada dificuldade, de cada desavença? Para onde nos levam tantas preocupações, tantas disputas e tantos conflitos, se, no fim, tudo parece convergir para o mesmo destino? Somos um povo descendente dos povos da Península Ibérica, miscigenado com os povos indígenas que aqui habitavam, neste chamado Novo Mundo, neste continente que, para muitos, ainda permanece desconhecido em sua essência. E o que nos tornamos? Um povo que, por vezes, parece ter perdido a própria identidade...

LADINO

O farsante acredita ser ladino, esperto, acima do bem e do mal, alguém a quem todos devem reverência e louvor. No íntimo, tem a certeza de que somente ele é capaz. Vaidoso ao extremo, ao contrário de Narciso, sequer olha para o espelho, pois seu reflexo não estaria à sua altura. Escorregadio por natureza, quase sempre ocupa cargos de liderança, onde encontra terreno fértil para se esconder, bajular, perseguir e traçar planos mirabolantes, sempre com o intuito de disfarçar seus desvios de caráter. Cerca-se de vassalos encarregados de fazer o serviço sujo. Não confia em ninguém, pois sabe que seus próprios comparsas estão sempre à espreita, aguardando apenas uma brecha para fincar uma estaca em sua fétida e esquálida jugular. Calhorda que é, não perde uma oportunidade de tripudiar e espezinhar os outros. É uma figura non grata, dependente de aplausos, que sobrevive de sorrisos amarelos, tão falsos quanto seu próprio semblante. É digno de pena pela estreiteza de seu mundo e pela mediocrid...

A SOLIDÃO COMO EXERCÍCIO DE LUCIDEZ

O fato de você não aceitar a opinião do outro e se revestir de um traje de agressividade demonstra o grau de imbecilidade no qual sua visão de mundo está imersa. Mas será que o problema está em mim ou será que a visão de mundo está completamente distorcida? Parece que as pessoas perderam a capacidade de perceber a realidade. Vivemos muito aquém das expectativas, caminhando de volta à barbárie, onde os meios justificam os fins, desde que isso legitime o seu pensamento ou o pensamento do seu grupo. O homem, hoje, parece precisar desesperadamente estar inserido em algum grupo, mesmo que esse grupo só destile imbecilidade e violência. Cada vez mais percebo que andar só é mais saudável para a nossa mente. E não confunda o agressivo com aquele que se cala e se afasta. São níveis diferentes de se trabalhar a própria energia. Não preciso pertencer a nenhuma tribo. Não sou hippie, não sou formiga, não sou cupim, não sou abelha para viver em comunidade. E pago meu preço por isso, mas pago tranqu...

NUMA DAS ESQUINAS DA VIDA

Sentado à sombra, tentando fugir do sol fatigante, a gente começa a pensar se tudo isso faz sentido. Por que gastar energia para se levantar? Para que gastar energia discutindo? Para que desperdiçar tanto esforço com situações que, ao final do dia, nos deixam com a sensação de que tudo foi em vão? Como direcionar melhor nossas forças? Como saber o que realmente é prioridade? Como identificar aquilo que, de fato, vale a pena? Afinal, tudo passa. Tudo acaba. A existência é passageira. A cada ano que se vai, a cada segundo, minuto e hora que se despedem, a compreensão da passagem dos anos muda. Os intervalos parecem mais curtos, e a gente começa a compreender que a luz no final do túnel, aquela que representa o retorno à nossa casa celestial, está cada vez mais próxima. Com o avançar dos anos, adquirimos uma compreensão mais clara de que o controle sobre a maioria das situações que nos tiram a tranquilidade não está em nossas mãos. São circunstâncias sobre as quais não temos gerência algu...