DO PRUMO E DA SEMEADURA


"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu."

Eclesiastes 3:1

Eis me aqui, divagando sobre o arrastar dos pés nessa efêmera e curta estadia humana por essas plagas, tendo a visão ampliada sobre a insignificância do ser humano perante o todo, rasgando a ilusão do controle, do protagonismo, libertando a alma dessa falsa ideia de ser perfeito. A vida nunca será imaginada nos momentos de torpor, ilusão ou falsa interpretação dos fatos. Ninguém é herói ou vilão na concepção epistemológica da palavra. Somos mutantes, instáveis, maniqueístas. 

O peso da idade e a realidade descortinada aos olhos daqueles que humildemente se despiram dos atrativos do mundo, dos que navegaram entre os dois mundos físico e abstrato, dos que tiveram a chance de recomeçar e apontaram para um trajeto na tentativa de apenas se tornar um ser melhor, já têm a certeza que tudo está no local certo, no tempo correto. Que cada peça está devidamente encaixada, cada rota obedece relógio que não atrasa nem adianta:

O prumo não força a parede a ficar de pé. Apenas revela o desnível.
A semeadura não apressa a colheita. Apenas confia na estação.

Não se luta contra o tempo. Se planta nele.

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